| O Afilhado de Gabo é um livro surpreendente. É uma envolvente história policial, com raízes nos romances góticos do século passado. É uma homenagem explícita ao realismo fantástico e a escritores como Edgar A. Poe, Bram Stocker, R.L. Stevenson, Garcia Marquez e muitos outros, que passeiam pela história com desenvoltura. É também um romance de forte conteúdo psicológico que usa o instrumental freudiano para se embrenhar nos escaninhos da alma humana. O Afilhado de Gabo é tudo isso mas é, acima de tudo, uma história sobre a ânsia de não morrer.
O personagem que conduz a trama, ele próprio saído das páginas de outro romance em busca da imortalidade, é a expressão patética do anseio do homem por aquilo que lhe foi negado as portas do Éden. E, embora a originalidade latente deste ser insólito e a sucessão dos eventos extraordinários que ele desencadeia monopolizem a atenção do leitor, o tema da história é, durante todo o tempo, a recorrente certeza da mortalidade.
Assim como os autores de literatura fantástica utilizavam o horror para burlar a censura, Avena utiliza um policial para discutir o homem e a consciência da morte.
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